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Strangle

Como montar um strangle comprado: compra de call e put em strikes diferentes, fora do dinheiro, apostando num movimento forte do ativo com custo menor que o straddle.

Strangle comprado
Também chamado deLong Strangle
Como montaCompra put OTM (K1, mais baixo) + compra call OTM (K2, mais alto), mesmo vencimento
Fluxo de caixa inicialDébito (você paga pra montar)
Cenário idealMovimento forte do ativo, pra qualquer direção
Ganho máximoIlimitado nas duas direções (em teoria)
Perda máximaO débito total pago, entre os dois strikes
Básico

O primo mais barato do straddle

O strangle comprado segue a mesma lógica do straddle — comprar uma call e uma put, apostando num movimento forte do ativo, pra qualquer direção — mas usando strikes diferentes, ambos fora do dinheiro (OTM): uma put de strike mais baixo (K1) e uma call de strike mais alto (K2).

Como opções fora do dinheiro custam menos que opções no dinheiro, o strangle costuma ser mais barato de montar que o straddle equivalente. Em troca, o ativo precisa se mover mais — passar de um dos dois strikes — antes da estrutura começar a dar lucro.

Exemplo numérico: PETR4 cotada a R$ 30,00. Você compra a put de strike R$ 28,00 por R$ 0,60 e a call de strike R$ 32,00 por R$ 0,70 — mesmo vencimento, lote de 100.

breakeven R$ 26,70breakeven R$ 33,30Preço do ativo no vencimentoResultado por estrutura (R$)
  • Débito total pago: (R$ 0,60 + R$ 0,70) × 100 = R$ 130,00
  • Perda máxima (se PETR4 fechar entre R$ 28,00 e R$ 32,00): R$ 130,00 — as duas opções expiram sem valor
  • Ponto de equilíbrio inferior: R$ 28,00 − R$ 1,30 = R$ 26,70
  • Ponto de equilíbrio superior: R$ 32,00 + R$ 1,30 = R$ 33,30
  • Ganho: ilimitado na alta (call); grande, mas tecnicamente limitado na baixa (put — o preço do ativo não cai abaixo de zero)

Repare na diferença pro straddle: ali a perda máxima só acontecia exatamente no strike; aqui, ela vale pra toda a faixa entre R$ 28,00 e R$ 32,00 — um "fundo plano" em vez de um ponto único.

Quando essa estratégia faz sentido

Assim como o straddle, o strangle é usado quando a expectativa é de um movimento forte, mas a direção é incerta. A diferença prática: o strangle é uma escolha melhor quando o objetivo é reduzir o custo de entrada e aceitar que o ativo precisa se mexer mais antes de dar lucro — o straddle é melhor quando o objetivo é começar a lucrar com um movimento menor, aceitando pagar mais caro por isso.

Uma referência de timing usada por operadores: comprar strangle quando a volatilidade implícita está baixa, esperando uma expansão futura (os prêmios ficam mais baratos, e há mais espaço pra valorização); vender strangle quando a volatilidade implícita está alta, esperando uma compressão (os prêmios ficam mais gordos, favorecendo quem recebe o crédito). Pra quem está comprado, uma meta de saída comum é encerrar a posição ao atingir entre 30% e 50% de valorização sobre o capital investido, em vez de esperar o vencimento.

Aprofundamento

Straddle vs. Strangle: custo contra distância

A escolha entre as duas estruturas é, no fundo, uma troca entre custo de montagem e distância até o lucro. O straddle recolhe (ou paga, na versão comprada) um prêmio maior — por usar opções no dinheiro, com o maior valor extrínseco possível — o que reduz a distância até o ponto de equilíbrio. O strangle é mais barato, mas amplia essa distância. Em termos de probabilidade de sucesso (POP, na sigla em inglês), o straddle tende a ter uma chance maior de terminar no lucro por precisar de um movimento menor — mas exige mais capital investido (ou mais margem, na venda) pra isso.

Straddle vendido: o espelho, com fundo plano

Assim como no straddle, é possível vender um strangle — vendendo a put e a call nos mesmos dois strikes, recebendo o crédito. O gráfico vira de cabeça pra baixo: em vez de um vale de perda máxima, um platô de ganho máximo entre os dois strikes.

Exemplo numérico: usando os mesmos strikes do exemplo anterior, agora na ponta vendida — venda da put de strike R$ 28,00 por R$ 0,60 e da call de strike R$ 32,00 por R$ 0,70, recebendo o crédito total.

breakeven R$ 26,70breakeven R$ 33,30Preço do ativo no vencimentoResultado por estrutura (R$)
  • Crédito total recebido: (R$ 0,60 + R$ 0,70) × 100 = R$ 130,00
  • Ganho máximo (se PETR4 fechar entre R$ 28,00 e R$ 32,00): R$ 130,00 — as duas opções expiram sem valor
  • Perda: ilimitada na alta (call vendida); grande, mas tecnicamente limitada na baixa (put vendida)

Comparado ao straddle vendido, o strangle vendido tem uma faixa de ganho máximo mais ampla (entre os dois strikes, não só um ponto) — uma margem de acerto um pouco maior, à custa de um crédito recebido menor.

Vega positivo, Theta negativo (na ponta comprada)

As mesmas gregas que regem o straddle valem aqui: Vega positivo e Theta negativo na versão comprada (o inverso na vendida). O mesmo cuidado com o "esmagamento de volatilidade" (vol crush) em eventos como divulgação de balanços também se aplica — veja a discussão completa em Straddle.

Uma janela de timing mais específica pra esse tipo de evento: montar a posição comprada entre 2 e 4 semanas antes do balanço, capturando a elevação gradual da volatilidade durante a expectativa, e encerrar a posição horas antes do anúncio oficial — evitando por completo o esmagamento de volatilidade que costuma vir logo depois.

Selecionar strikes pelo Delta

Uma referência comum entre operadores pra escolher os dois strikes: vender (ou comprar) ambas as pernas com Delta próximo de 0,15 a 0,20, o que sugere uma probabilidade teórica de sucesso entre 60% e 70% — a mesma lógica de seleção por Delta usada em Trava de baixa e Iron Condor.

A regra "45-21-50" pro strangle vendido

Uma referência sistemática bastante usada por operadores mais experientes, resumida em três números: montar a posição vendida com cerca de 45 dias pro vencimento (DTE); fechar (recomprar) a estrutura ao atingir 50% do lucro máximo potencial, sem esperar o vencimento; e, se a posição chegar a 21 dias pro vencimento sem ter batido essa meta, encerrar ou rolar pro mês seguinte de qualquer forma — independentemente do resultado — pra evitar o risco de Gamma que se intensifica nas últimas semanas de vida do contrato.

Se o mercado testar um dos lados antes disso, a mesma técnica do straddle vendido e do Iron Condor se aplica: rolar o lado não testado pra mais perto do preço atual coleta um crédito adicional e reduz o risco total da posição.

Sobre o tamanho da posição: uma referência de gestão é nunca comprometer mais de 20% a 30% do capital total da conta em margem alocada pra posições vendidas — deixar folga evita que uma sequência de operações ruins escale pra uma situação de liquidação forçada.

Custos de duas pernas

Como qualquer estrutura de múltiplas pernas, o strangle paga tarifa da B3 duas vezes na montagem, e mais duas vezes se for desmontado antes do vencimento. Mais detalhes em Quanto custa operar opções na B3.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre strangle e straddle?
No straddle, a call e a put são compradas no mesmo strike (ATM). No strangle, os strikes são diferentes — call e put ambas fora do dinheiro (OTM). O strangle costuma custar menos pra montar, mas exige um movimento maior do ativo pra começar a dar lucro.
Qual é a perda máxima do strangle comprado?
O débito total pago, que ocorre se o ativo fechar em qualquer ponto entre os dois strikes no vencimento — diferente do straddle, onde a perda máxima só acontece exatamente no strike, no strangle ela vale pra toda a faixa entre os strikes.
Por que alguém escolheria strangle em vez de straddle?
Principalmente pelo custo menor de montagem, já que opções fora do dinheiro são mais baratas que opções no dinheiro. Em troca, o strangle precisa de um movimento maior do ativo pra sair do zero — é uma troca entre custo de entrada e distância até o lucro.
O strangle vendido tem o mesmo risco do straddle vendido?
Sim, na essência — risco muito elevado nas duas direções (ilimitado na alta, limitado mas potencialmente devastador na baixa), com a vantagem de que o ganho máximo (o crédito recebido) vale pra toda a faixa entre os strikes, não só um ponto — o que dá uma margem de acerto um pouco maior que o straddle vendido.

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Escrito por

Equipe Editorial Portal das Opções

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