| Trava de Baixa (com puts) | |
|---|---|
| Também chamada de | Bear Put Spread, spread de baixa |
| Como monta | Compra put de strike mais alto (K1) + vende put de strike mais baixo (K2), mesmo vencimento |
| Fluxo de caixa inicial | Débito (você paga pra montar) |
| Cenário ideal | Queda moderada do ativo, até o strike vendido |
| Ganho máximo | Diferença entre os strikes, menos o custo de montagem |
| Perda máxima | O custo de montagem da estrutura |
Comprar uma put, mas mais barato
A trava de baixa clássica é montada com duas puts do mesmo vencimento: você compra uma put de strike mais alto (K1) e vende, ao mesmo tempo, uma put de strike mais baixo (K2). O prêmio recebido na venda financia parte do custo da put comprada — por isso a estrutura sai mais barata do que comprar a put de strike alto sozinha.
Em troca desse desconto, seu ganho fica limitado: se o ativo cair além do strike vendido (K2), você não ganha mais nada além do teto já definido — porque a put vendida vai gerar prejuízo equivalente ao ganho da put comprada a partir desse ponto.
Exemplo numérico: PETR4 cotada a R$ 30,00. Você monta a trava comprando a put de strike R$ 30,00 por R$ 1,50 e vendendo a put de strike R$ 28,00 por R$ 0,70 — mesmo vencimento, lote de 100.
- Custo de montagem: (R$ 1,50 − R$ 0,70) × 100 = R$ 80,00
- Ganho máximo (se PETR4 fechar em R$ 28,00 ou menos): (R$ 30,00 − R$ 28,00) × 100 − R$ 80,00 = R$ 120,00
- Perda máxima (se PETR4 fechar em R$ 30,00 ou mais): R$ 80,00 — o valor pago pra montar
- Ponto de equilíbrio (breakeven): R$ 30,00 − R$ 0,80 = R$ 29,20
Quando essa estratégia faz sentido
A trava de baixa é para quem tem uma expectativa de queda moderada, não de um movimento explosivo. Se você espera uma queda muito grande no preço, comprar a put sozinha (sem vender a outra ponta) tem ganho maior quanto mais o ativo cair — a trava troca esse potencial maior por um custo menor e uma perda máxima mais previsível.
Duas referências práticas comuns entre operadores (não são regras da B3, só heurísticas de gestão de risco): alocar um percentual pequeno do capital total por trava — algo entre 2% e 5% costuma ser citado como referência — e escolher os strikes com base em suporte e resistência do gráfico do ativo: o strike comprado próximo de uma resistência, o strike vendido próximo de um suporte projetado.
A versão com calls (crédito)
Existe uma segunda forma de montar a mesma aposta de baixa, só que invertendo o fluxo de caixa: a trava de baixa com calls. Nela, você vende uma call mais dentro do dinheiro (ITM) e compra uma call mais fora do dinheiro (OTM), mesmo vencimento — recebendo um crédito líquido na montagem, em vez de pagar.
O resultado no vencimento é economicamente equivalente à trava com puts (mesmo ganho máximo, mesma perda máxima, mesmo breakeven, na teoria) — a diferença prática está no fluxo de caixa inicial e na margem de garantia exigida, já que a ponta vendida (a call ITM) exige alocação de garantia enquanto a posição estiver aberta (mais detalhes em Margem de garantia).
As fórmulas da versão com calls, usando K1 (strike vendido, mais baixo) e K2 (strike comprado, mais alto):
- Breakeven = K1 + crédito líquido recebido
- Ganho máximo = crédito líquido recebido (ocorre se o ativo fechar abaixo de K1)
- Perda máxima = (K2 − K1) − crédito líquido recebido (ocorre se o ativo fechar acima de K2)
Uma referência de mercado (não é regra fixa) pra escolher entre as duas versões: com volatilidade implícita baixa, os prêmios de compra ficam mais baratos, favorecendo a trava por débito com puts; com volatilidade implícita alta, os prêmios de venda ficam mais gordos, favorecendo a trava por crédito com calls — a versão de crédito se beneficia tanto do decaimento do Theta quanto de uma eventual queda da volatilidade implícita (Vega negativo), já que ambos os efeitos corroem o valor da estrutura a favor de quem vendeu.
Escolhendo os strikes pelo Delta
Em vez de escolher os strikes só pela distância de preço, uma abordagem mais precisa é usar o Delta de cada opção como guia. Uma referência comum entre operadores: comprar a put com Delta próximo de -0,50 (a opção no dinheiro, ATM) e vender a put com Delta próximo de -0,20 a -0,25 (mais fora do dinheiro, OTM). A diferença entre os Deltas ajuda a estimar, de forma aproximada, a probabilidade de o preço terminar dentro do intervalo desejado no vencimento — veja mais em Gregas de forma simples.
Executando as duas pernas
Enviar a compra e a venda como ordens separadas cria o risco de "perna solta" (às vezes chamado de legging in): se o ativo se mover rápido entre o envio de uma ordem e da outra, você pode acabar só com uma das pontas executada, ficando descoberto sem querer. Uma alternativa disponível na maioria dos home brokers (e em plataformas profissionais como o Profit, via módulo de opções) é a boleta de estratégia/trava, que envia as duas pernas como uma ordem combinada, respeitando o débito ou crédito líquido definido. É uma opção a mais na hora de montar a operação — cada investidor avalia se prefere usá-la ou boletar as pernas manualmente, dependendo da familiaridade com a plataforma e da liquidez do momento.
Risco de exercício antecipado na ponta vendida
Como puts sobre ações na B3 costumam ser de estilo americano, a put vendida (ponta de strike mais baixo) pode, em teoria, ser exercida antecipadamente pelo titular — o que é raro na prática, mas fica mais provável quando o valor extrínseco restante da opção é pequeno e ela já está bem dentro do dinheiro, especialmente perto do vencimento. Mais detalhes em Opções Americanas vs. Europeias.
Os custos de montar e desmontar contam em dobro
Por ter duas pernas, a trava de baixa paga a tarifa da B3 duas vezes na montagem (uma por perna) e, se você decidir zerar a posição antes do vencimento, mais duas vezes no desmonte. Em lotes pequenos, isso pode consumir uma fatia relevante do ganho potencial — vale considerar esse efeito ao dimensionar a operação. Mais detalhes em Quanto custa operar opções na B3.
Gestão no vencimento
Se o ativo fechar entre os dois strikes no vencimento, só a put comprada será exercida — o resultado nesse caso é a diferença entre o strike comprado e o preço do ativo, menos o custo de montagem. Se fechar abaixo do strike vendido, as duas pontas são exercidas e o resultado trava no ganho máximo, independentemente de quanto o ativo continuar caindo depois disso.
Referências mais específicas de gestão usadas por operadores (heurísticas, não regras):
- Janela de entrada: montar a trava entre 30 e 45 dias antes do vencimento, período em que o decaimento do Theta começa a acelerar — favorável a quem está com a ponta vendida da estrutura.
- Meta de lucro: considerar encerrar a posição (recomprando a trava) ao atingir entre 50% e 60% do ganho máximo potencial, em vez de segurar até o vencimento.
- Limite de perda: encerrar a operação se o prejuízo acumulado atingir entre 1x e 1,5x o valor inicial investido (ou recebido, na versão de crédito) — definir esse limite antes de montar a operação evita decisões emocionais no meio do caminho.
Vale um alerta sobre expectativa: travas fora do dinheiro (tanto de débito quanto de crédito) tendem a ter uma taxa de acerto relativamente alta — é comum estruturas assim vencerem na maioria das vezes. Isso não elimina o risco: como a perda máxima costuma ser maior que o ganho máximo em travas de crédito fora do dinheiro, algumas poucas perdas podem anular vários ganhos acumulados se não houver disciplina na hora de encerrar posições que estão indo mal.
Perguntas frequentes
- Trava de baixa é a mesma coisa que comprar uma put a seco?
- Não. Comprar uma put a seco tem ganho maior quanto mais o ativo cai, mas custa mais caro e perde 100% do prêmio se o ativo não cair o suficiente. A trava de baixa reduz o custo (e o risco) vendendo uma put de strike mais baixo — em troca, o ganho fica limitado ao diferencial entre os strikes.
- Existe trava de baixa com calls também?
- Sim — é a trava de baixa com calls (crédito): você vende uma call mais dentro do dinheiro e compra outra mais fora do dinheiro, mesmo vencimento. Em vez de pagar pra montar a estrutura, você recebe um crédito. O resultado no vencimento é equivalente à trava com puts, mas o fluxo de caixa inicial é oposto.
- Qual é a perda máxima possível na trava de baixa com puts?
- O valor pago para montar a estrutura (prêmio da put comprada menos o prêmio da put vendida, multiplicado pela quantidade de opções). É o mesmo valor tanto se o ativo subir muito quanto se ficar exatamente estável acima do strike comprado.
- Por que não simplesmente comprar a put de strike mais alto sem vender a outra?
- Você poderia — e teria ganho maior quanto mais o ativo cair. A trava existe justamente pra quem prefere pagar menos e aceitar um teto de lucro, geralmente porque a expectativa é de queda moderada, não de um movimento explosivo.
- Posso enviar a compra e a venda como duas ordens separadas?
- Pode. Se preferir, muitos home brokers e plataformas profissionais também oferecem uma boleta de estratégia/trava, que envia as duas pernas como uma ordem combinada, respeitando o débito ou crédito líquido definido — é uma opção a mais, não uma exigência, e cabe a cada investidor avaliar qual formato prefere usar.
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Equipe Editorial Portal das Opções
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