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Trava de Alta (Bull Call Spread)

Como montar uma trava de alta com calls: comprar uma call de strike mais baixo e vender uma call de strike mais alto para reduzir custo e limitar risco numa aposta de alta moderada.

Trava de Alta (com calls)
Também chamada deBull Call Spread, spread de alta
Como montaCompra call de strike mais baixo (K1) + vende call de strike mais alto (K2), mesmo vencimento
Fluxo de caixa inicialDébito (você paga pra montar)
Cenário idealAlta moderada do ativo, até o strike vendido
Ganho máximoDiferença entre os strikes, menos o custo de montagem
Perda máximaO custo de montagem da estrutura
Básico

Comprar uma call, mas mais barato

A trava de alta clássica é montada com duas calls do mesmo vencimento: você compra uma call de strike mais baixo (K1) e vende, ao mesmo tempo, uma call de strike mais alto (K2). O prêmio recebido na venda financia parte do custo da call comprada — por isso a estrutura sai mais barata do que comprar a call de strike baixo sozinha.

Em troca desse desconto, seu ganho fica limitado: se o ativo subir além do strike vendido (K2), você não ganha mais nada além do teto já definido — porque a call vendida vai gerar prejuízo equivalente ao ganho da call comprada a partir desse ponto.

Exemplo numérico: PETR4 cotada a R$ 30,00. Você monta a trava comprando a call de strike R$ 30,00 por R$ 1,50 e vendendo a call de strike R$ 32,00 por R$ 0,70 — mesmo vencimento, lote de 100.

  • Custo de montagem: (R$ 1,50 − R$ 0,70) × 100 = R$ 80,00
  • Ganho máximo (se PETR4 fechar em R$ 32,00 ou mais): (R$ 32,00 − R$ 30,00) × 100 − R$ 80,00 = R$ 120,00
  • Perda máxima (se PETR4 fechar em R$ 30,00 ou menos): R$ 80,00 — o valor pago pra montar
  • Ponto de equilíbrio (breakeven): R$ 30,00 + R$ 0,80 = R$ 30,80
breakeven R$ 30,80Preço do ativo no vencimentoResultado por trava (R$)

Quando essa estratégia faz sentido

A trava de alta é para quem tem uma expectativa de alta moderada, não de um movimento explosivo. Se você espera um salto muito grande no preço, comprar a call sozinha (sem vender a outra ponta) tem ganho ilimitado — a trava troca esse potencial ilimitado por um custo menor e uma perda máxima mais previsível.

Duas referências práticas comuns entre operadores (não são regras da B3, só heurísticas de gestão de risco): alocar um percentual pequeno do capital total por trava — algo entre 2% e 5% costuma ser citado como referência — e escolher os strikes com base em suporte e resistência do gráfico do ativo: o strike comprado próximo de um suporte, o strike vendido próximo de uma resistência projetada.

Aprofundamento

A versão com puts (crédito)

Existe uma segunda forma de montar a mesma aposta de alta, só que invertendo o fluxo de caixa: a trava de alta com puts. Nela, você vende uma put mais dentro do dinheiro (ITM) e compra uma put mais fora do dinheiro (OTM), mesmo vencimento — recebendo um crédito líquido na montagem, em vez de pagar.

O resultado no vencimento é economicamente equivalente à trava com calls (mesmo ganho máximo, mesma perda máxima, mesmo breakeven, na teoria) — a diferença prática está no fluxo de caixa inicial e na margem de garantia exigida, já que a ponta vendida (a put ITM) exige alocação de garantia enquanto a posição estiver aberta (mais detalhes em Margem de garantia).

Uma referência de mercado (não é regra fixa) pra escolher entre as duas versões: com volatilidade implícita baixa, os prêmios de compra ficam mais baratos, favorecendo a trava por débito com calls; com volatilidade implícita alta, os prêmios de venda ficam mais gordos, favorecendo a trava por crédito com puts.

Executando as duas pernas

Enviar a compra e a venda como ordens separadas cria o risco de "perna solta" (às vezes chamado de legging in): se o ativo se mover rápido entre o envio de uma ordem e da outra, você pode acabar só com uma das pontas executada, ficando descoberto sem querer. Uma alternativa disponível na maioria dos home brokers (e em plataformas profissionais como o Profit, via módulo de opções) é a boleta de estratégia/trava, que envia as duas pernas como uma ordem combinada, respeitando o débito ou crédito líquido definido. É uma opção a mais na hora de montar a operação — cada investidor avalia se prefere usá-la ou boletar as pernas manualmente, dependendo da familiaridade com a plataforma e da liquidez do momento.

Risco de exercício antecipado na ponta vendida

Como calls sobre ações na B3 costumam ser de estilo americano, a call vendida (ponta de strike mais alto) pode, em teoria, ser exercida antecipadamente pelo titular — o que é raro na prática, mas fica mais provável perto de datas-ex de dividendos relevantes, quando o valor do dividendo supera o valor extrínseco restante da opção. Vale acompanhar o calendário de proventos do ativo enquanto a trava estiver montada. Mais detalhes em Opções Americanas vs. Europeias.

Os custos de montar e desmontar contam em dobro

Por ter duas pernas, a trava de alta paga a tarifa da B3 duas vezes na montagem (uma por perna) e, se você decidir zerar a posição antes do vencimento, mais duas vezes no desmonte. Em lotes pequenos, isso pode consumir uma fatia relevante do ganho potencial — vale considerar esse efeito ao dimensionar a operação. Mais detalhes em Quanto custa operar opções na B3.

Gestão no vencimento

Se o ativo fechar entre os dois strikes no vencimento, só a call comprada será exercida — o resultado nesse caso é a diferença entre o preço do ativo e o strike comprado, menos o custo de montagem. Se fechar acima do strike vendido, as duas pontas são exercidas e o resultado trava no ganho máximo, independentemente de quanto o ativo continuar subindo depois disso.

Uma prática comum entre operadores mais experientes (heurística, não regra): em vez de segurar a trava até o último dia, considerar encerrar a posição ao atingir algo entre 50% e 75% do ganho máximo potencial — já que o valor extrínseco residual da ponta vendida costuma fazer a estrutura demorar a atingir seu valor máximo teórico, e travar parte do ganho reduz a exposição ao tempo restante.

Perguntas frequentes

Trava de alta é a mesma coisa que comprar uma call a seco?
Não. Comprar uma call a seco tem ganho ilimitado mas custa mais caro e perde 100% do prêmio se o ativo não subir o suficiente. A trava de alta reduz o custo (e o risco) vendendo uma call de strike mais alto — em troca, o ganho fica limitado ao diferencial entre os strikes.
Existe trava de alta com puts também?
Sim — é a trava de alta com puts (crédito): você vende uma put mais dentro do dinheiro e compra outra mais fora do dinheiro, mesmo vencimento. Em vez de pagar pra montar a estrutura, você recebe um crédito. O resultado no vencimento é equivalente à trava com calls, mas o fluxo de caixa inicial é oposto.
Qual é a perda máxima possível na trava de alta com calls?
O valor pago para montar a estrutura (prêmio da call comprada menos o prêmio da call vendida, multiplicado pela quantidade de opções). É o mesmo valor tanto se o ativo cair muito quanto se ficar exatamente estável abaixo do strike comprado.
Por que não simplesmente comprar a call de strike mais baixo sem vender a outra?
Você poderia — e teria ganho ilimitado. A trava existe justamente pra quem prefere pagar menos e aceitar um teto de lucro, geralmente porque a expectativa é de alta moderada, não de um movimento explosivo.
Posso enviar a compra e a venda como duas ordens separadas?
Pode. Se preferir, muitos home brokers e plataformas profissionais também oferecem uma boleta de estratégia/trava, que envia as duas pernas como uma ordem combinada, respeitando o débito ou crédito líquido definido — é uma opção a mais, não uma exigência, e cabe a cada investidor avaliar qual formato prefere usar.

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Escrito por

Equipe Editorial Portal das Opções

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