| Iron Condor | |
|---|---|
| Também chamado de | Condor de ferro, estrutura de 4 pernas |
| Como monta | Trava de alta com puts (venda K2, compra K1) + trava de baixa com calls (venda K3, compra K4) |
| Fluxo de caixa inicial | Crédito (você recebe pra montar) |
| Cenário ideal | Ativo estável, fechando entre as duas strikes vendidas |
| Ganho máximo | O crédito total recebido |
| Perda máxima | Largura de uma das travas, menos o crédito recebido |
Duas travas, uma estrutura só
O Iron Condor combina duas estruturas que você já deve conhecer se leu os artigos de trava de alta e trava de baixa — só que aqui, as duas são montadas ao mesmo tempo, no mesmo vencimento, usando quatro strikes diferentes:
- Do lado das puts (embaixo do preço atual): vende uma put de strike mais próximo (K2) e compra uma put de strike mais distante (K1), formando uma trava de alta com puts — a versão em crédito da estrutura.
- Do lado das calls (acima do preço atual): vende uma call de strike mais próximo (K3) e compra uma call de strike mais distante (K4), formando uma trava de baixa com calls.
As quatro pernas juntas criam uma faixa de preço (entre K2 e K3) onde você fica com o crédito total recebido — e limites bem definidos de perda para os dois lados, caso o ativo saia dessa faixa.
Exemplo numérico: PETR4 cotada a R$ 30,00. Você monta a estrutura com: venda da put K2=R$ 28,00, compra da put K1=R$ 26,00 (trava de alta com puts, crédito R$ 0,40), e venda da call K3=R$ 32,00, compra da call K4=R$ 34,00 (trava de baixa com calls, crédito R$ 0,40) — mesmo vencimento, lote de 100.
- Crédito total recebido: R$ 0,40 + R$ 0,40 = R$ 0,80 por ação → R$ 80,00 no lote
- Ganho máximo (se PETR4 fechar entre R$ 28,00 e R$ 32,00): R$ 80,00 — o crédito inteiro
- Perda máxima (se PETR4 fechar em R$ 26,00 ou menos, ou R$ 34,00 ou mais): (R$ 2,00 de largura da trava − R$ 0,80 de crédito) × 100 = R$ 120,00
- Breakeven inferior: R$ 28,00 − R$ 0,80 = R$ 27,20
- Breakeven superior: R$ 32,00 + R$ 0,80 = R$ 32,80
Uma aposta em estabilidade, não em direção
Diferente da trava de alta ou de baixa, o Iron Condor não aposta que o ativo vai subir ou cair — aposta que ele vai ficar dentro de uma faixa. É uma estrutura popular em momentos de baixa expectativa de movimento, ou quando a volatilidade implícita está alta o suficiente pra tornar os prêmios recebidos atrativos frente ao risco assumido.
Em termos de gregas: a estrutura tem Theta positivo (a passagem do tempo trabalha a favor, corroendo o valor das opções vendidas) e Vega negativo (uma queda na volatilidade implícita acelera o ganho, comprimindo o valor das quatro pernas). Veja mais sobre essas gregas em Gregas de forma simples.
Condor simples não é Iron Condor
Vale não confundir as duas estruturas, apesar do nome parecido: o Condor simples é montado só com calls ou só com puts (não os dois tipos), e é uma operação a débito — você paga pra montar. O Iron Condor mistura calls e puts, e é uma operação a crédito — você recebe pra montar. O resultado final costuma ser parecido, mas o fluxo de caixa inicial e a forma de gerenciar a posição são diferentes.
Por que quatro pernas, e não duas
Uma alternativa mais simples seria vender só um strangle (uma put e uma call vendidas, sem comprar proteção) — mas isso deixaria o risco teoricamente ilimitado dos dois lados. As duas pernas compradas (K1 e K4) existem justamente pra travar a perda máxima, transformando uma venda de volatilidade arriscada numa estrutura de risco conhecido desde a montagem.
Simetria não é obrigatória
No exemplo, as duas travas têm a mesma largura (R$ 2,00 de cada lado) — mas isso é uma escolha, não uma regra. É possível montar um Iron Condor assimétrico, com uma trava mais larga que a outra, geralmente refletindo uma visão de que um dos lados tem mais chance de ser testado do que o outro. Isso muda a perda máxima de cada lado individualmente.
Gestão das quatro pernas
Assim como nas travas de duas pernas, montar e desmontar um Iron Condor manualmente expõe ao risco de "perna solta" — só que aqui, com quatro pernas em vez de duas, esse risco se multiplica. Vale usar uma boleta de estratégia combinada quando disponível, que envia as quatro pontas como uma ordem só, respeitando o crédito líquido definido.
Ajuste quando um dos lados é testado
Uma prática comum entre operadores mais experientes: se o preço do ativo se aproximar de um dos strikes vendidos antes do vencimento, é possível "ajustar" a estrutura — por exemplo, fechando a trava que está sendo testada e abrindo uma nova mais distante (uma forma de rolagem aplicada só a uma das pernas), ou fechando a estrutura inteira e aceitando uma perda parcial em vez de esperar o resultado no vencimento.
Uma técnica alternativa: em vez de mexer no lado que está sendo testado, rolar o lado que ainda não foi testado pra mais perto do preço atual — isso coleta um crédito adicional e reduz o risco total da estrutura, sem abrir mão da posição no lado sob pressão.
Selecionar strikes pelo Delta
Uma referência comum entre operadores pra escolher os strikes vendidos (K2 e K3): buscar opções com Delta próximo de 0,15 a 0,20, o que sugere uma probabilidade teórica de acerto entre 70% e 80% — a mesma lógica de seleção por Delta usada em Trava de baixa, aplicada aqui nas duas pontas simultaneamente.
Regra de saída por perda
Assim como o crédito recebido sugere uma meta de lucro (fechar a estrutura ao capturar boa parte do crédito, sem esperar o vencimento), vale definir também um limite de perda antes de montar a operação — uma referência comum é encerrar a posição se o prejuízo acumulado atingir entre 1x e 2x o crédito recebido na montagem.
Custos de quatro pernas
Cada perna paga tarifa da B3 na montagem — com quatro pernas, isso significa pagar essa tarifa quatro vezes de uma vez, e mais quatro vezes se você decidir desmontar antes do vencimento. Em lotes pequenos, esse custo pode consumir uma fatia desproporcional do crédito recebido — vale considerar esse efeito ao dimensionar a operação. Mais detalhes em Quanto custa operar opções na B3.
Perguntas frequentes
- Iron Condor é a mesma coisa que juntar duas travas?
- Sim, na essência. É uma trava de alta com puts (vende put mais próxima, compra put mais distante) somada a uma trava de baixa com calls (vende call mais próxima, compra call mais distante), no mesmo vencimento. As quatro pernas juntas formam o Iron Condor.
- Quando o Iron Condor dá o resultado máximo?
- Quando o ativo fecha entre as duas strikes vendidas (a put vendida e a call vendida) no vencimento — nesse caso, as quatro opções expiram sem valor e você fica com o crédito recebido na montagem inteiro.
- O Iron Condor é uma estratégia de alta ou de baixa?
- Nenhuma das duas — é uma estratégia neutra. O ganho vem da passagem do tempo e da queda da volatilidade implícita, não de o ativo subir ou cair. Funciona melhor quando a expectativa é de estabilidade de preço até o vencimento.
- Qual a perda máxima possível?
- A largura de uma das travas (a diferença entre os dois strikes daquele lado) menos o crédito total recebido. As duas travas normalmente têm a mesma largura, então a perda máxima é igual dos dois lados.
- Iron Condor e Condor simples são a mesma coisa?
- Não. O Condor simples é montado só com calls ou só com puts, e é uma operação a débito (você paga pra montar). O Iron Condor mistura calls e puts, e é uma operação a crédito (você recebe pra montar) — o resultado final costuma ser parecido, mas o fluxo de caixa inicial é oposto.
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Equipe Editorial Portal das Opções
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